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História da Comp.



HISTÓRIA DA COMPANHIA DE ENGENHARIA 3336

"AQUELA MÁQUINA"



A Companhia de Engenharia 3336 começou a ser formada e iniciar o I.A.O. no Batalhão de Engenharia Nº 3 em Santa Margarida no dia 09 de Novembro de 1970. Após a conclusão do I.A.O. e de uns dias de licença, embarcou para Angola a bordo do "Vera Cruz" no dia 06 de Janeiro de 1971,tendo chegado a Luanda em 15 do mesmo mês. Como a chegada a Luanda coincidiu com a época das chuvas a Companhia ficou no Agrupamento de Engenharia de Angola (A.E.A.).

No entanto, no dia 28 de Janeiro seguiu para Cangamba (ZML) um destacamento sob as ordens do Alferes Manuel Jorge Amaral para receber o material da Companhia de Engenharia 2491 que nós tínhamos ido render. Infelizmente foi em Cangamba que, por afogamento, no rio com o mesmo nome faleceu o nosso camarada Domingos Fernando Dias Pacheco no dia 16 de Março de 1971. Algum tempo depois seguiu para o Zala (ZMN) um outro destacamento. O restante pessoal continuou em Luanda. Os condutores foram-se habituando às novas viaturas "Magirus" e os operadores de máquinas de terraplanagem em diversos trabalhos, nomeadamente à desmatação da picada da Cintura de Luanda. O restante pessoal empenhou-se em trabalhos de construção dos quais há a salientar no Hospital Militar de Luanda, no Quartel de transmissões e uma oficina no Quartel dos "Dragões". A 03 de Maio a Companhia parte para o sector do Bié, sub-sector do Chitembo, para dar início aos trabalhos da época seca.

Divide-se em dois destacamentos. Um de obras de arte que fica no Mutumbo sob as ordens do Alferes Ferrand d'Almeida e que tem por missão a construção de duas pontes. Uma sobre o rio Cuanza com 24 metros de vão livre e outra sobre o rio Luâmbua com 20 metros de vão. Estas duas pontes de um único vão têm apoios em betão e o vão foi vencido com perfis em I e os tabuleiros em madeira. O segundo destacamento ficou no Umpulo sob o comando do Alferes José Ferreira e no dia 17 de Maio dá início à 1ª fase da "Operação Passo em Frente", com a abertura do intenerário definido pela vila de Umpulo e a nascente do rio Cuvelai numa extensão de 140 Km.

No dia 23 de Junho fomos visitados no Mutumbo pelo Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola, General Costa Gomes. No dia 23 de Julho deu-se início à construção da ponte sobre o rio Cuanza nas próximidades do Mutumbo.

Durante esta operação, no dia 13 de Setembro, houve o rebentamento de 2 minas anti-carro que provocaram 20 feridos, sendo um deles o Alferes José Ferreira da 3336 e os restantes da Companhia de Cavalaria 2720. No primeiro rebentamento esteve também o 1º Cabo António Velez da 3336 que felizmente nada sofreu.

Ainda no dia 13, à noite, houve um ataque à base táctica que durou cerca de 15 minutos. Fomos atacados a tiro de metrelhadora e granadas de morteiro, mas felizmente não houve feridos. No dia 19 a Companhia de Cavalaria 2720 rebentou mais uma mina anti-carro tendo ficado ferido o Alferes Maia daquela Companhia. Esta 1ª fase terminou no dia 20 de Outubro de 1971. Ao mesmo tempo iniciou-se a construção da ponte sobre o Rio Cuanza. No início de Novembro avança para o Mutumbo a frente de abertura que atravessa com as máquinas a vau o Rio Luâmbua e dá-se início à abertura do troço Rio Luâmbua / nascente do Rio Cuvelai numa extensão de apróximadamente 80 Kms. Entretanto o destacamento do Mutumbo já abrira os 20 Kms iniciais entre o Mutumbo e o Rio Luâmbua. Ao mesmo tempo começa a construção da ponte sobre o Rio Luâmbua e do "Drift" localizado na proximidade daquela obra de arte. Assim que se atingiram as nascentes do Rio Cuvelai procedeu-se à desmatação para a instalação duma Companhia de Caçadores e a pista de aterragem. A abertura deste intenerário envolvente e de alternativa destinava-se a desalojar o IN e ao mesmo tempo possibilitar não só o apoio logístico à futura unidade a instalar nas nascentes do Rio Cuvelai como também ao lançamento de operações através dela. Também como ideia futura de criar a partir desse intenerário uma série de penetrantes , o que viria a suceder com a realização na 2ª época de trabalhos das Operações "Mucusal" e "Extemporânea".

No dia 18 de Janeiro de 1972 dão-se por concluídos os trabalhos da época seca. Durante o período das chuvas procede-se à recuperação de todo o equipamento e dá-se início às obras de construção pelos destacamentos da Companhia nos quartéis da Companhia de Caçadores 3321 (Umpulo) e Companhia de Caçadores 3323 (Mutumbo). Assim foram feitas as seguintes obras:

No Umpulo:
Abastecimento de água
Duas casernas para praças
Instalações sanitárias para praças
Refeitório e cozinha
Rede de esgotos
Diversas arrecadações

No Mutumbo:
Duas casernas para praças
Instalações sanitárias para praças
Forno para pão
Refeitório e cozinha


SEGUNDA FASE


No dia 05 de Maio de 1972 faz-se a mudança da base recuada do Umpulo para o Mumbué. Entretanto continuam no Umpulo e no Mutumbo pequenos destacamentos destina- dos à conclusão das obras aí em curso. A 13 de Junho de 1972 dá-se início à primeira fase da "Operação Mucusal" com a abertura do troço entre o Mumbué e as nascentes do Rio Cuvelai numa extensão de apróximadamente 105 Kms. e que termina no dia 12 de Agosto. A 15 de Agosto dá-se início à 2ª fase da mesma operação com a abertura do troço entre a nascente do Rio Nhama - Salumana Rio Cuito) numa extensão de 60 Kms. Numa 3ª fase procedeu-se à beneficiação de retorno destes 60 Kms mais 40 Kms da época finda entre as nascentes dos Rios Nhama e Cuvelai.

Infelizmente no dia 28 de Agosto foi atingido a tiro, inadvertidamente, pelo seu comandante de companhia ,Capitão Bragança, o soldado da Companhia de Artilharia 3375 João Roberto Ferreira Fernandes, natural da Madeira. O acidente deu-se junto ás nascentes do rio Cuvelai cerca das 20 horas tendo-se feito os primeiros socorros no local e efectuada evacuação terrestre, dado o adiantado da hora e não ser possível pedir o helicóptero. Viria a falecer já próximo do Chitembo.

No dia 22 de Setembro atinge-se novamente o Mumbué com todo o pessoal e equipamento. É ainda pedido à Companhia a abertura de um intenerário de 59 Kms ligando as nascentes dos Rio Mancanda e Cuito por ter sido detectada uma ponte sobre o Rio Cuito. Faz-se avançar rapidamente para o Umpulo uma equipa de abertura a qual no dia 05 de Setembro dá início à "Operação Extemporânea". Numa 1ª fase com a duração de 5 dias abrem-se 59 Kms que viriam a sofrer beneficiação de retorno nos 5 dias que se seguiram. No dia 20 de Novembro reuniu-se no Mumbué toda a Companhia e inicia-se a retirada de todo o pessoal e equipamento, por grupos, para o Luso.

O dia 05 de Janeiro de 1973 foi a data oficial do fim da comissão. Como após aquela data se continuasse no Luso, executaram-se ainda os seguintes trabalhos:

Construção de uma caserna no quartel de Engenharia
Vedação das Oficinas de Fardamento e Equipamento
Desmatação de 4 hectares no I.A.A.
Beneficiação da pista de aterragem de Cangamba
Trabalhos no Hospital Militar Regional do Luso , além de outros trabalhos.

No final de Fevereiro de 1973 fomos rendidos pela Companhia de Engenharia 9141/72 comandada pelo Sr. Capitão Martins Abreu. No dia 01 de Março de 1973 partida do 1º grupo para Luanda. No dia 20 de Março de 1973 partida do 2º grupo para Luanda. A Companhia de Engenharia 3336 regressou a Lisboa num avião dos TAM, o 1º grupo em 28 de Março e o 2º grupo em 30 de Março ao fim de 27 meses de comissão.

Após a chegada dirigiu-se o pessoal ao Regimento de Engenharia 1 ( Pontinha ) onde foi feito o espólio do fardamento que restava e cada um regressou a sua casa com a noção do dever cumprido.


VIVA "AQUELA MÁQUINA" !

Contacto: António Velez - Tlm: 962588130 - E-mail: antoniomachadovelez@gmail.com

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